A decisão de construir um novo parque de exposições na Avenida Omar da Costa Paolinelli, no bairro Monte Carmelo, em Carmópolis de Minas, comunicada em redes sociais pelo prefeito Célio Roberto Azevedo (UNIÃO); vereadores Marcelo de Freitas dos Reis, líder do governo e da bancada do UNIÃO e Rafael Batista dos Reis, líder da bancada do MDB e pelo deputado estadual Rodrigo Lopes (UNIÃO), provocou a reação imediata de proprietários de lotes e moradores dos bairros Monte Carmelo, Vista da Serra e Boa Vista, que desaprovaram a iniciativa.
Representantes dessas localidades urbanas participaram da sessão ordinária da Câmara Municipal realizada no dia 06 de julho de 2026, quando entregaram à mesa diretora um abaixo assinado com 221 assinaturas, também encaminhado ao prefeito, Ministério Público e demais órgãos competentes, manifestando preocupação quanto à anunciada obra em área contígua aos referidos loteamentos.
No documento, os signatários argumentam que a mobilização não representa oposição ao desenvolvimento de Carmópolis de Minas, tampouco aos investimentos públicos destinados ao lazer, à cultura, turismo, agronegócio ou fortalecimento da economia local. Ao contrário, todos reconhecem a importância de políticas públicas que promovam o crescimento do município, gerem empregos, valorizem a cidade e ampliem as oportunidades de lazer para a população.
A preocupação restringe-se à escolha da localização do empreendimento, pois os loteamentos foram concebidos como áreas predominantemente residenciais, sendo que inúmeras famílias adquiriram seus imóveis acreditando na manutenção das características urbanísticas do local, buscando tranquilidade, segurança, qualidade de vida e valorização patrimonial.
De acordo com o abaixo-assinado, a instalação de um parque de exposições ao lado dessas áreas poderá ocasionar impactos significativos, tais como aumento do fluxo de veículos; congestionamentos; elevação dos níveis de ruído, especialmente durante os eventos; intenso movimento de pessoas; alterações na segurança e na mobilidade da região; transtornos à rotina dos moradores e possível desvalorização dos imóveis.
Afirmam os signatários que, embora reconheçam a relevância de um parque de exposições para o desenvolvimento econômico e cultural do município, entendem que empreendimentos dessa natureza devem ser implantados em locais compatíveis com sua finalidade, após adequado planejamento urbanístico e ampla participação da população diretamente afetada. Além disso, os proprietários adquiriram seus imóveis confiando nas condições apresentadas pela loteadora e nas características do empreendimento, sendo legítima a expectativa de preservação da destinação residencial da região.
Continua o documento, apontando que o próprio contrato de compromisso de compra e venda, firmado com os adquirentes, estabelece obrigações voltadas à preservação das características dos loteamentos, especialmente no que diz respeito à observância do projeto urbanístico aprovado, a manutenção do padrão do empreendimento e a proteção da valorização dos imóveis. Estas disposições refletem os princípios da boa fé objetiva, da segurança jurídica e da proteção da confiança legítima, previstas no Código Civil, além de estarem em consonância com a lei federal 6.766/1979 – Lei de Parcelamento do Solo Urbano.
Vereadores e participantes da sessão defenderam a realização de uma audiência pública para discutir o projeto com toda a sociedade.
Falando na “Tribuna Livre” como proprietária de lotes e representante da associação DogLar, que acolhe, cuida da saúde e promove a adoção de animais abandonados, Isabel Cristina Pimenta afirmou que não se pedia o cancelamento do parque, mas um planejamento, diálogo, porque o crescimento de Carmópolis não significa sacrificar a tranquilidade das famílias, nem o trabalho de anos de proteção aos animais. Destacou que o prefeito ofereceu outros espaços para a transferência da associação, mas não existem recursos para a construção e nem tempo hábil para a transferência, já que o rodeio está marcado para o próximo mês de setembro. Isabel demonstrou preocupação com os transtornos e estresse que poderão atingir os animais e considerou a decisão como falta de reconhecimento ao importante trabalho voluntário desenvolvido pela DogLar.
Também na condição de proprietária, ocupou a tribuna Catherine Amaral de Castro, para quem, mais do que a construção de um parque de exposições, a discussão abrange o modelo de cidade que se quer ter. Avaliou a decisão do prefeito como monocrática e autoritária, uma escolha política sem ouvir a população. Ela pediu o posicionamento da Câmara, já que a cidade não possui um plano diretor capaz de barrar a decisão do Executivo. E concluiu, pedindo que o parque seja construído onde a população optar, em decisão a ser tomada pelo povo, ao qual pertence o poder.
Lázaro Antônio Rodrigues Neves, proprietário de imóvel no bairro Vista da Serra, fechou as participações na “Tribuna Livre”, defendendo a revitalização do atual parque de exposições do bairro Santo Antônio ou escolha de outro local que não apresente tantos danos aos proprietários de imóveis.
Os vereadores também se manifestaram sobre o tema, a maioria deles concordando com os argumentos apresentados pelos proprietários e defendendo a realização de uma audiência pública para discutir a questão.
A íntegra dos pronunciamentos pode ser acessada na gravação da sessão, em áudio e vídeo, disponível no site da Câmara.